A capacidade de fazer seus próprios dentes crescerem novamente pode estar mais próxima do que imaginamos.
Por muito tempo, acreditava-se que os dentes eram as únicas estruturas parecidas com ossos no corpo humano que não conseguiam se regenerar após serem perdidos ou quebrados. Embora tenham composição semelhante aos ossos, os dentes, na verdade, são tecidos diferentes — e, até hoje, não tínhamos como fazê-los crescer novamente.
Mas isso pode estar prestes a mudar. Um grupo de pesquisadores japoneses afirma ter encontrado uma forma de estimular o crescimento de novos dentes em adultos, uma notícia promissora para quem já perdeu algum dente ao longo da vida.
A pesquisa inovadora
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Kyoto e da Universidade de Fukui, no Japão. Eles descobriram que um anticorpo ligado ao gene USAG-1 (Gene 1 Associado à Sensibilização Uterina) foi capaz de estimular o crescimento dentário em camundongos com agenesia dentária congênita — uma condição genética que impede o nascimento de certos dentes.
Um problema que afeta muita gente
Cerca de 1% da população humana apresenta condições congênitas que resultam em número anormal de dentes — seja a falta de alguns, seja o surgimento de dentes extras. Esses casos têm sido estudados por cientistas que buscam entender como reativar a regeneração dentária.
A ciência por trás da regeneração
De acordo com o Dr. Katsu Takahashi, um dos autores do estudo, já foram identificadas as moléculas fundamentais para o desenvolvimento dos dentes. Entre elas estão as proteínas BMP (proteínas morfogenéticas ósseas) e a sinalização Wnt — ambas essenciais para a formação de órgãos e tecidos durante os primeiros estágios da vida embrionária.
Esses mecanismos são tão delicados e importantes que medicamentos que afetam diretamente as BMPs ou a sinalização Wnt geralmente são evitados por risco de efeitos colaterais em outros sistemas do corpo. Por isso, a equipe decidiu focar no gene USAG-1, que atua regulando essas vias.
“Já sabíamos que inibir o USAG-1 favorecia o crescimento dentário”, explicou Takahashi. “O que não sabíamos era se isso, sozinho, seria suficiente.”
Um único anticorpo, um dente inteiro
A equipe então testou vários anticorpos monoclonais — proteínas amplamente utilizadas em tratamentos contra câncer, artrite e outras doenças — para bloquear a atuação do USAG-1. A maioria não teve bons resultados, afetando o desenvolvimento dos camundongos.
Mas um anticorpo específico conseguiu bloquear apenas a interação entre USAG-1 e BMP, o que foi suficiente para fazer nascer um dente novo em um único camundongo. Outros testes com furões, animais que, assim como os humanos, têm duas dentições ao longo da vida (a de leite e a permanente), também apresentaram os mesmos resultados.
E os humanos?
O próximo passo dos cientistas será testar o tratamento em outros mamíferos, como porcos e cães, para verificar se o efeito se repete. Até o momento, ainda não há previsão de testes em humanos.
No entanto, se os resultados forem consistentes, essa descoberta pode revolucionar os tratamentos odontológicos. Hoje, as únicas opções para quem perde dentes são dentaduras ou implantes, soluções que, além de caras, não substituem com perfeição a função dos dentes naturais. ■
